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Agora que eu vou ser pai de alguém, muitas histórias estranhas certamente esperam por mim, então crio aqui um lugar apropriado para (quase) todas elas.

domingo, outubro 30, 2005

para quem não me entendeu...

Em primeiro lugar, eu não sou hippie. Além do mais quando eu disse sobre o luxo de andar de carro quando seria melhor que todos andássemos de transporte coletivo, como ônibus, trens ou metrô, ou mesmo táxi eventualmente, quis dizer que a cidade toda funcionaria melhor e isso adiantaria a vida de todos seus cidadãos. Ou vocês acham que os congestionamentos de trinta quilômetros que acontecem semanalmente em São Paulo são devidos aos ônibus ou aos metrôs que a cidade possui? E lembre-se, trinta quilômetros é a distância aproximada do Barreiro a Venda Nova em linha reta!

E outra, como tempo é dinheiro, o engravatado e ocupado empresário que não pode perder seu tempo, fica quantas horas por dia preso em congestionamento na cidade indo da Savassi para o Belvedere? O pobre coitado que já ralou o dia inteiro no seu empreguinho de merreca nalgum lugar do centro da cidade fica quantas horas por dia preso em congestionamento na cidade voltando pra sua casa em Venda Nova?

obras eleitoreiras

Não se esqueçam também: a prefeitura concluiu às vésperas das eleições anteriores a trincheira entre as avenidas Antônio Carlos e Santa Rosa, um projeto imbecil, com todas as letras maiúsculas, e que de nada adiantou efetivamente, a não ser para a reeleição. Um projeto que até pistas sem uso tem, serviço porco de gente incompetente. E agora é o governo do estado que quer duplicar tudo que é avenida do centro ao aeroporto de Confins, ao mesmo tempo em que a prefeitura quer duplicar o resto da Antônio Carlos. Mas imagine a obra do governo, que passa pelo túnel. Alguém vai duplicar o túnel, ou ali vai ser um ponto grave de congestionamento? E a obra da prefeitura, se três pistas de rolagem (como é atualmente na Antônio Carlos) não têm vazão ao chegar no complexo da Lagoinha e na rua do Acre, imaginem seis pistas de rolagem. Ou eles vão duplicar a rua do Acre!
Lembrete: ano que vem tem eleição para o governo do estado.

carro x ônibus

O que quis dizer no texto anterior é o seguinte, mesmo sabendo que carro pode ser importante - afinal meu filho nasce daqui a pouco e quando precisar ir a consultas médicas, ou quando for visitar os parentes, ou qualquer outro motivo que eu precise levar o moleque a qualquer outro lugar, o carro (próprio ou táxi) terá importância muito grande - mas cotidianamente, e é este o ponto, o carro só trás problemas. É pelo excesso de carros nas ruas que se formam congestionamentos.

Parágrafo para uma conta simples: se a média é de duas pessoas ocupando cada carro (mas imagino que seja algum valor entre um e dois), podemos tirar todas essas pessoas dos carros e colocá-las todas sentadas num ônibus. Se um ônibus tem cinqüenta assentos, são vinte e cinco carros a menos, trocados por apenas um ônibus com todas as pessoas sentadas! Sem falar no metrô.

Voltando ao texto: É pelo excesso de carros nas ruas que se formam congestionamentos. E é pelos congestionamentos que todo mundo perde um tempo absurdo por dia para poder se divertir ou descansar ou mesmo trabalhar mais. E enquanto isso os governos municipal e estadual continuam fazendo obras que induzem ao aumento de carros e, logo, ao aumento dos congestionamentos. E nós, eu e alguns leitores desta página, estudantes ou recém formados em Arquitetura e Urbanismo, não nos damos conta do que podemos fazer para alterar o futuro da cidade para melhor. Afinal, são melhores as diretrizes e as verbas direcionadas ao transporte público, com implementação inteligente e manutenção, controle e fiscalização constantes ou aquelas destinadas à duplicação de vias que em pouco tempo conterão os mesmos transtornos de hoje, como os congestionamentos - que a meu ver serão ainda maiores - e os afunilamentos sem sentido em pontos vitais das vias?

e, de novo, o meu filho...

Reclamamos que os governos do passado geraram dívidas para o país que pagamos até hoje, mas achamos isso normal. Eu não gostaria de ver meu filho reclamando dos governos de hoje pelos transtornos que ele provavelmente viverá em pouco tempo, achando que é coisa normal.

sexta-feira, outubro 14, 2005

notícias da terra do sol!

Ontem, quinta-feira treze de outubro de dois mil e cinco, eu não precisei sair de casa e aproveitei para fazer uma arrumação geral, varrer e passar cera no chão, colocar umas roupas pra lavar, tirar poeira dos móveis, lavar as louças da pia, enfim, arrumar a casa toda. No final da tarde, com a casa praticamente pronta, faltava fazer uma limpeza geral em mim. O que estava faltando fazer era guardar as roupas que eu já tinha recolhido do varal, colocar roupa de cama nova e tal.

calor intenso

Só pra lembrar, e para aqueles que não estão em Belo Horizonte ficarem sabendo, ontem fez um calor infernal na cidade – no país – no mundo – as roupas que eu coloquei pra secar no varal ficaram secas num segundo e o edredom que tinha passado a noite dependurado já estava evaporando (mas o edredom só foi lavado para poder ser guardado, porque nesse calor não dá nem pra olhar pra ele).

Enquanto eu lavava as coisas da pia da cozinha, a única coisa na qual eu conseguia pensar era no banho que eu ia tomar em seguida. A água da torneira da cozinha estava quente e a do chuveiro vem da mesma caixa d’água. Tomei banho com o chuveiro desligado (com a parte elétrica do chuveiro desligada, mas a torneira estava aberta e caía água, me explico antes que um engraçadinho faça um comentário sem graça) e foi um dos melhores banhos que eu já tomei na vida. Chuveiro desligado, porta aberta, super refrescante.

Saí do banho, me enxuguei, estendi a toalha e fui pro quarto guardar as roupas que eu já havia tirado do varal e colocado sobre a cama. O sol já havia se posto há mais de meia hora, as roupas já haviam sido retiradas do varal há mais de duas horas, e a cada roupa que eu pegava para dobrar (dobrar mais ou menos; daqui foi pra pilha de roupas a passar) saía um bafo quente, como se eu tivesse acabado de tirar aquela roupa do sol. Depois de guardar as roupas todas fui ao banheiro lavar o rosto, pois eu já estava suando de novo por causa daquelas roupas quentes. E qual não foi minha surpresa ao ver que, depois de passados cerca de quinze minutos do fim de um banho que eu tomei frio e com a porta aberta, o banheiro estava quente! Horrorizei.

que mundo é esse?

À noite eu tenho o costume de ver o Jornal da Globo, dá pra ver um resumo do dia e quando ele termina, eu já pego no sono (nem sempre). Na edição de ontem, a mesma quinta-feira que eu fiquei em casa horrorizado com o calor, uma notícia internacional, a NASA divulgou resultados de uma pesquisa que diz que a temperatura mundial está batendo recordes no mundo inteiro e que o golfo do México nunca esteve tão quente, o que significa que tornados como o Katrina vão ser cada vez mais comuns daqui pra frente, notícia que também já não é mais novidade. E me lembrei também que até mesmo o Brasil foi alvo outro dia mesmo de um tornado.

piada velha e sem graça

Eu sempre me lembro de uma piadinha que minha professora de geografia da quinta ou sexta série contou uma vez em sala de aula. Deus e São Pedro estavam lá conversando e distribuindo geograficamente os desastres pelo mundo, Naquele país ali São Pedro, o Japão, eu quero muito terremoto, naquele outro ali, um deserto e ali uns tornados, lá um mar revolto e tal, a piada é grande, até que por fim ele disse, E naquele ali São Pedro, não quero desastre nenhum não, só praia bonita, cachoeiras, uma floresta grande, grande não, a maior do mundo, verão o ano todo, biodiversidade e tal. E São Pedro perguntou pra Deus, uai Deus, mas porquê que em todos os outros países você vai colocar tantos desastres e nesse aí, um país desse tamanho, não vai colocar nenhum? É São Pedro, eu não vou colocar nenhum desastre, mas você vai ver a gentinha que eu vou deixar viver ali...

Hoje em dia, dois mil e cinco, a gentinha tem exagerado tanto que até desastre natural tem...

que mundo é esse? (2)

Como se já não bastasse ir dormir com a confirmação de que o mundo está realmente superaquecido, história que até outro dia mesmo era dita como previsão para um futuro que a gente nunca acha que vai chegar, hoje eu acordo com a notícia, vista no Bom Dia Brasil, que seis municípios do estado do Amazonas estão há cinco dias em estado de calamidade por causa da seca! Porra!, seis municípios que estão às margens dos rios da maior bacia hidrográfica do planeta estão sofrendo com Seca! Imagina o que não vai sobrar no resto do mundo daqui a pouco...

e viva o crescimento econômico!

Hoje fui visitar o terreno onde vou fazer o próximo projeto, área do município de Nova Lima que já foi usada para extração de minério de ferro e que hoje, como acabou o minério naquele morro (aliás, acabou o morro), será usada para ampliação de um dos bairros ou condomínios ou distritos dali de perto, o que chegar primeiro.

Dali dava pra ver outro morro mais à frente, que começou a ser explorado este ano e já está comido pela metade. No final do ano que vem, ou um pouco depois, ali estará um buraco tão grande quanto este aqui. De todo este minério de ferro sai material para se construir mais automóveis ou mais aço para as estruturas metálicas de edifícios, para citar dois exemplos óbvios. E a indústria de automóveis e a de motocicletas batem novos recordes de fabricação a cada ano. No país ainda não vemos a construção ir assim tão bem, mas a China faz um prédio atrás do outro e o aço vem daqui.

e o meu filho...

Até que ponto o progresso da humanidade consegue seguir sem se transformar em colapso da humanidade? Até que ponto podemos assumir luxos cada vez mais dispendiosos do ponto de vista tanto da matéria prima como da energia empregados neles, sem que recoloquemos na natureza aquilo que tiramos de lá? Aliás, até que ponto precisamos de luxo? Porquê que a cada dia é mais comum vermos pessoas sozinhas em seus carros enquanto cada vez menos pessoas usam um transporte público medonho? Não seria melhor todo mundo usar um transporte público eficiente? Tem lugar no mundo que é assim. Se aqui não é, quem ganha com isso? Ou o fato de cada um querer ter seu carro corresponde com o fato de cada um, numa casa, querer ter seu próprio banheiro? Pra que esse luxo todo? Ou isso é só individualismo? E a sociedade em que a gente vive? Até que ponto ela agüenta e até que ponto ela sofre por causa de tanto individualismo? Até que ponto nossas escolhas pessoais interferem no ecossistema mundial, transformando aos poucos cidades com temperatura amena, como era Belo Horizonte há cinqüenta anos, em metrópoles infernais como a Belo Horizonte de hoje?

E o meu filho que nasce no final do ano? Que mundo estamos criando pra ele viver?

terça-feira, outubro 04, 2005

cada um tem cada coisa...

A nova série com as coisas que só as crianças são capazes de dizer:

A mãe e seu filho no shopping, andando dentro de uma loja, vêm uma cama grande toda arrumada com travesseiros, almofadas, edredons e outros panos que eu não conheço direito e a mãe diz, como que pensando alto, Estou precisando tanto de um edredon..., e o moleque, que talvez nem saiba o que é um edredon, responde confiante, Eu também tô precisando tanto de um edredon...