Davi e os números
A bolsa rompeu as oito da manhã do dia vinte e quatro de dezembro de dois mil e cinco, sendo o número das horas divisor do número do dia, que, por sua vez, é múltiplo do número do mês, doze.
Ao chegarmos – eu e a Izabela, com o Davi ainda embutido – no hospital (Maternidade Sofia Feldman, para que conste da nota), fomos alojados no leito cento e vinte e um, que é quadrado de um número primo, o onze. Neste instante, o que fomos internados, a dilatação estava por volta de três centímetros, e foi aumentando gradativamente até a segunda medição, já no começo da tarde, quando chegou a sete centímetros, e fomos levados a outro leito, este segundo na parte do hospital onde se realizam os partos, que aconteceu no leito cento e vinte e cinco, produto do número primo cinco pelo seu quadrado vinte e cinco.
Quando a dilatação chegou a dez, na terceira medição, soma das medições anteriores, o trabalho de parto começou com mais vigor, a anestesia local já havia sido aplicada, e, exatamente as quatro e vinte e oito da tarde, sendo o número dos minutos múltiplo do número das horas, nasceu Davi, com peso igual a quatro quilos e trezentos e setenta gramas, que, embora não tenha nenhuma relação de múltiplos e divisores aparente, é um peso e tanto para um recém-nascido.
