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Agora que eu vou ser pai de alguém, muitas histórias estranhas certamente esperam por mim, então crio aqui um lugar apropriado para (quase) todas elas.

sexta-feira, julho 29, 2005

é menino-hômi!

...e lindo! Ultra-som é um negócio muito legal, deu pra ver cada bracinho, cada perninha, a cabeça, a coluna vertebral, as costelas, o fêmur que não mede nem dois centímetros ainda, deu pra ouvir o batimento cardíaco perfeitamente, do caralho, muito empolgante.

Vou ser pai de um menino perfeitinho e saber disso é uma coisa muito emocionante, indescritível. Vê-lo dar uns chutinhos, mexer com a cabeça, mexer os braços, é do caralho!

Agora só falta pensar direito num nome! Aceito idéias...

No próximo ultra-som, e vai ter pelo menos mais um, vai dar pra ver cada dedinho, cada órgão interno, a circulação sanguínea. Doido demais! Só passando por isso mesmo!

***

E mais uma, finalmente deu pra saber direito o tempo de gestação. Dezoito semanas e cinco dias - com uma tolerância de mais ou menos uma semana - o que dá quatro meses e meio, um pouquinho mais, ou seja, estamos no meio da gestação. A data mais provável de ser a certa é algo em torno do natal. Presentão pra mim e pra Bela. Só vai ser ruim pra ele que vai ganhar apenas um presente por ano.

quinta-feira, julho 28, 2005

mas ainda não foi desta vez...

Só deu pra escutar a criança dentro da barriga. É muito legal, o maior rock’n’roll dentro da barriga de tanto barulho, parecendo de vez em quando umas ondas fortes, uma maré forte em dia de chuva, um mar de ressaca. (se tivéssemos bebido na véspera eu ia achar mesmo que era ressaca). Mas tem interferência demais e só mais ou menos eu consegui ouvir o coração, mesmo assim sem ter certeza se era o coração mesmo.

Mas, apressado que sou e ansioso que estou, a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi marcar o ultra-som.

Amanhã mesmo, às sete horas da manhã saberemos - tomara - se é menino ou menina. Ou um de cada, vai saber!

suspense...

Hoje, quinta feira, 28 de julho, às duas da tarde, haverá nova consulta de pré-natal, a primeira através do plano de saúde.

Se o médico, Dr. Marcos, fizer ultra-som, já vamos descobrir se é menino ou menina!

terça-feira, julho 26, 2005

5.500 nomes para o bebê

“Nomes indígenas, bíblicos, mitológicos, populares, inclusive nomes afros”. É assim que está escrito na capa da pequena revista vendida em muitas bancas do centro da cidade.
Não agüentando de curiosidade, comprei. Nela há os nomes, suas origens e significados. Além de uma orientação que devem ser usados “nomes fáceis e sem complicações”, e que nem todos os que aparecem ali são adequados, mas que constam na revista apenas para satisfazer a curiosidade do leitor.

Alguns exemplos retirados da revista:

nomes de estados ou cidades, como Goiás, Sergipe, Olinda, Sabará e Birigui (sim! a Massachusetts brasileira!), além de Sepetiba e Ipanema, nomes de praias - e Ipanema significa, em tupi, ‘água que não presta’, olha só que coisa;

marcas registradas como Ajax, Kuat, Melita, Minerva (eu conheço uma Minerva!) e até Mirabel (imagina alguém chamando a menina: oh gostosa!), além de uma das marcas mais conhecidas no país, Tabajara;

palavras de uso mais ou menos corriqueiro mas que nunca associei a nomes próprios como Abril (sim, o mês de Abril), Ábaco, Abstêmio, Albino (esse eu já vi como sobrenome, e, por uma grande ironia, sobrenome do cara mais longe de ser albino de todo o cefet no tempo que eu estudei lá), Alegria (vê se pode!), Nirvana e até Jardim (oh Jardim, sai do quintal meu filho!) (mas esse também é sobrenome)

e, claro, os nomes esdrúxulos (desculpe se seu nome estiver aqui, mas se estiver é por que ele é esdrúxulo) como Gerôncio (que tem origem grega/latina e significa velho, o moleque já nasce caducando; mas pelo menos vale o pensamento positivo que esperam pra ele vida longa), Roseilaine (que não tem origem em nada, é só uma “aglutinação de Rosa e Elaine”, de acordo com a revista), e um dos piores, Pavência (com origem no latim, significa amedrontado, porra! além de por um nome ridículo na filha ainda usa um com significado tão desestimulador, imbecil até...)

***

E ainda tem uma coisa incrível nesta revista, tem cinco mil e quinhentos nomes (é claro que eu não conferi), alguns normais, outros estranhos e uns estúpidos, com origens em todos os cantos do mundo mas... não tem Izabela! Tem Adetokunbo, Ecocuaba, Irungu, Madzimoyo, Omotunde e Pepukayi mas não tem Izabela! Nem com s no lugar do z, nem com um l nem com dois l’s. Pelo menos no nome Isabel, de origem hebraica, admite-se variantes como Ysabel, Isabele, Isabele..., e não errei não, na revista vem Isabele escrito duas vezes mesmo, e não tem Izabela!

***

Mas o melhor nome de todos os que eu já escutei na vida, não tem nessa revista e eu nunca vi nada parecido em lugar nenhum, nem em livros, nem na internet, nem em outras conversas sobre nomes cabulosos. E foi o Uirsu quem me contou, mas eu dei uma leve aumentada na história, usando uns outros nomes retirados da revista:

A mãe, cansada daquela vida de desgraça, o marido nunca fazia nada que prestava, mal trazia comida pra dentro de casa, os filhos mais velhos não faziam nada pra ajudar em casa, não gostavam de trabalhar nem de estudar, antes do casamento, o pai e os irmãos eram uns cachaceiros sem vergonha que não faziam nada pra melhorar de vida.

Quando ela ficou sabendo da nova gravidez ela pensou com seus botões que desse menino ela cuidaria diferente, iria por nele o gosto pelo estudo e pelo trabalho, e esse sim ia ser alguém importante na vida. Mas já tem que começar por um nome bom. Nada como Adalfredo, Adalemo ou Adeltrudes, seus irmão e irmã, Florisval, Eguelberto, Kinderman ou Leodomir, seus outros filhos, de jeito nenhum, o caçula tinha que ser alguém na vida e pra isso tinha que ter um nome importante.
No cartório não teve dúvidas: Qual o nome do seu filho, minha senhora? É Doutor Flávio, seu escrivão.

segunda-feira, julho 25, 2005

relação com o tempo

Quando eu era pequeno, sempre gostava de olhar as fotos de família que ficavam guardadas numa caixa.
Algumas delas sempre me chamaram a atenção de alguma forma e eu nunca havia entendido, ainda, o por que.
Uma delas me acompanha já há alguns anos, num porta-retratos, uma foto tirada em outubro de mil novecentos e oitenta e quatro (há mais de vinte anos, portanto). Eu e meu irmão em cima da árvore que havia no fundo do quintal lá de casa, lendo revistinhas do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Ela está no mesmo porta-retratos que outra foto nossa, esta bem mais recente, tirada em dois mil e um ou dois mil e dois, não me lembro mais, mas também em meio à natureza, sentados numas pedras em cima da Gruta Rei-do-Mato, com umas árvores ao fundo, olhando pra paisagem e pensando.

Mas este texto é pra falar de outra foto da mesma caixa que existe na casa dos meus pais. Eu sempre que a via, procurava identificar as pessoas nas fotos. Eu ainda era um bebê de colo, minha irmã bem novinha, um primo mais velho que eu era apenas um moleque, meu avô era vivo (e morreu quando eu ainda era bem novo), minha avó estava bem mais nova (e ela também morreu, mas há poucos anos), meus pais e tios e tias com cara de crianças, praticamente, com cabelos e barbas completamente diferentes, foto muito engraçada. Eu sempre ria dela de tão engraçada, de tão esquecida no tempo, de tão distante pra mim.

Fiquei alguns anos sem olhar de novo aquelas fotos. Elas continuam na casa dos meus pais e eu não moro mais com eles há três anos. Mas outro dia numa visita, resolvi dar uma olhada lá de novo, mostrar algumas fotos pra Izabela, minha namorada, rir mais um pouco de novo. Como sempre.

Revi a tal foto, a família toda, meus avós, meus pais, tios e tias, primos mais velhos, irmã, eu no colo e tal. Me deu um trem na mesma hora. Olhei pra minha sobrinha, filha da minha irmã, e ela estava igualzinha à minha irmã na foto. Calculei as idades de todos na foto. Se eu era um bebê de colo, não tinha completado ainda um ano, então aquela foto tinha vinte e seis ou vinte e sete anos de idade. Meus pais tinham então a idade que eu e meus irmãos temos hoje, assim como nossos tios e tias; meus avós tinham a idade que meus pais têm hoje, e... caralho! já passou uma geração inteira entre o momento em que aquela foto foi tirada e o momento em que eu a revi. No mesmo dia, foram à casa dos meus pais alguns dos tios que estavam na foto e eles também gostaram de vê-la. Um dos meus tios ainda notou como o filho mais velho é a cara dele, outro reforçou como minha sobrinha lembra minha irmã quando era mais nova e eu fiquei matutando aquilo, como se ninguém estivesse vendo realmente o mesmo que eu vi na foto, como foi que passou toda uma geração e como que o ciclo sempre se repete, como que a família sempre muda mas sempre continua igual.

Talvez ninguém tivesse pensado nisso por já ter visto a mesma coisa em muitas outras situações, muitas outras fotos, em muitos outros nascimentos e mortes, em muitos outros tempos. Mas foi ali, eu acho, que essa minha relação com o tempo, que eu sempre achei ser diferente da relação de outras pessoas com ele, tomou uma dimensão nova pra mim. Talvez uma dimensão mais compreensível, embora não seja necessariamente mais explicável.

Mas uma coisa é certa, desde o momento que eu descobri que serei pai - e mesmo um pouco antes disso, talvez quando eu pensei a primeira vez, seriamente, em ser pai de alguém - essa relação não me deixa, ela realmente faz parte de mim. O passado, o presente e o futuro estão todo o tempo em minha cabeça, as relações entre estes tempos, as coisas que aconteceram, as que deixaram de acontecer, como uma coisa que aconteceu ou deixou de acontecer tem relação direta com outra que acontece hoje ou que está pra acontecer num futuro breve ou distante. Mas tudo isso é assunto pra outro texto. Neste fica minha relação com o tempo e como a constatação da passagem de uma geração inteira me deixou mais intrigado com o nascimento e a morte, o passado e o futuro, meus pais e meus filhos.

segunda-feira, julho 18, 2005

o começo das coisas

Dezoito de julho de dois mil e cinco, segunda-feira, aventuras de um pai-marinheiro-de-primeira-viagem que não sabe como funciona direito esse negócio mas está disposto a fazer direitinho.

Sexta-feira dez de junho de dois mil e cinco, fiz o plano de saúde da Izabela e o meu. Daqui a uma semana, a partir de quarta-feira, vinte e sete de julho deste ano, estaremos cobertos pelo plano e, pelo menos psicologicamente, estarei mais seguro de continuar a viagem.

Mas a história começou mesmo há algum tempo atrás, quando a menstruação da Izabela não vinha mais e ela estava ganhando alguns quilinhos a mais, engordando um pouquinho mais - e olha que foi apenas nas primeiras semanas, se nossos cálculos estão corretos.

Dia vinte e quatro de maio fomos ao laboratório para o exame de gravidez.
Depois de coletarem uma amostrinha do sangue da Izabela, fizeram o teste de quimioluminescência que eu não sei em que consiste, e nem como é feito.
O resultado, dado na unidade mUI/mL, que eu não lembro mais o que significa, vem acompanhado dos seguintes valores de referência:

de 0 a 5 mUI/mL, o resultado é negativo
de 5 a 50 mUI/mL, resultado indeterminado
acima de 50 mUI/mL, resultado positivo (sim, ela está grávida).

e o resultado veio escrito da seguinte forma:

"maior que 1000 mUI/mL", que me fez dizer na mesma hora: Núúú, mas você tá é muito grávida, Bela.

Só depois disso, e já devia ter uns dois ou três meses de gravidez nessa época - nós ainda não sabemos exatamente - é que nós começamos a dar as boas novas. Primeiro pros nossos pais e irmãos, resto da família, embora esta fica sabendo em menos de vinte e quatro horas, como sempre, e depois todo mundo. Claro, também, depois que nossa ficha caiu de verdade.

O mais engraçado, é como todo mundo - muita gente - fica ansioso pra saber se é menino ou menina, se já pensamos num nome, se já começamos a comprar enxoval - aliás só a palavra enxoval eu já acho uma coisa muito engraçada.

Não, não sabemos se é menino ou menina, e nem estamos preocupados em saber. Em algum ultra-som, algum dia, ficaremos sabendo.

Não, não escolhemos nomes ainda. Afinal, nem sabemos se é menino ou menina, não e verdade?

Não, não começamos a compra enxoval. Tanto por não sabermos se é menino ou menina, como por também agora nossas contas estarem sendo cuidadosamente analisadas - muito mais que antes - para que possamos comprar as coisas, pagar plano de saúde, continuar pagando as outras contas de sempre, e mais o que precisar aparecer (resolveu levar vida de gente grande, agora agüenta). Mas tá tudo funcionando bem.

terça-feira, julho 12, 2005

Voltei

Não sei se alguém notou mas esse blog ficou um tempão fora do ar.

O motivo foi alguma pane nas configurações que eu (tentei) arrumar, mas só consegui mesmo (mais ou menos) agora.

Agora vamos ver se eu vou publicar com certa regularidade, né?

Aliás, bem vindos novamente.