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Agora que eu vou ser pai de alguém, muitas histórias estranhas certamente esperam por mim, então crio aqui um lugar apropriado para (quase) todas elas.

terça-feira, junho 06, 2006

Elogio

Domingo, quatro de junho de dois mil e seis, recebi o elogio mais inspirado que um homem pode receber:

"Durante a gravidez, sempre que eu olhava pra você, torcia pra o Davi nascer com os seus olhos."

domingo, janeiro 01, 2006

Davi e os números

A bolsa rompeu as oito da manhã do dia vinte e quatro de dezembro de dois mil e cinco, sendo o número das horas divisor do número do dia, que, por sua vez, é múltiplo do número do mês, doze.

Ao chegarmos – eu e a Izabela, com o Davi ainda embutido – no hospital (Maternidade Sofia Feldman, para que conste da nota), fomos alojados no leito cento e vinte e um, que é quadrado de um número primo, o onze. Neste instante, o que fomos internados, a dilatação estava por volta de três centímetros, e foi aumentando gradativamente até a segunda medição, já no começo da tarde, quando chegou a sete centímetros, e fomos levados a outro leito, este segundo na parte do hospital onde se realizam os partos, que aconteceu no leito cento e vinte e cinco, produto do número primo cinco pelo seu quadrado vinte e cinco.

Quando a dilatação chegou a dez, na terceira medição, soma das medições anteriores, o trabalho de parto começou com mais vigor, a anestesia local já havia sido aplicada, e, exatamente as quatro e vinte e oito da tarde, sendo o número dos minutos múltiplo do número das horas, nasceu Davi, com peso igual a quatro quilos e trezentos e setenta gramas, que, embora não tenha nenhuma relação de múltiplos e divisores aparente, é um peso e tanto para um recém-nascido.

domingo, outubro 30, 2005

para quem não me entendeu...

Em primeiro lugar, eu não sou hippie. Além do mais quando eu disse sobre o luxo de andar de carro quando seria melhor que todos andássemos de transporte coletivo, como ônibus, trens ou metrô, ou mesmo táxi eventualmente, quis dizer que a cidade toda funcionaria melhor e isso adiantaria a vida de todos seus cidadãos. Ou vocês acham que os congestionamentos de trinta quilômetros que acontecem semanalmente em São Paulo são devidos aos ônibus ou aos metrôs que a cidade possui? E lembre-se, trinta quilômetros é a distância aproximada do Barreiro a Venda Nova em linha reta!

E outra, como tempo é dinheiro, o engravatado e ocupado empresário que não pode perder seu tempo, fica quantas horas por dia preso em congestionamento na cidade indo da Savassi para o Belvedere? O pobre coitado que já ralou o dia inteiro no seu empreguinho de merreca nalgum lugar do centro da cidade fica quantas horas por dia preso em congestionamento na cidade voltando pra sua casa em Venda Nova?

obras eleitoreiras

Não se esqueçam também: a prefeitura concluiu às vésperas das eleições anteriores a trincheira entre as avenidas Antônio Carlos e Santa Rosa, um projeto imbecil, com todas as letras maiúsculas, e que de nada adiantou efetivamente, a não ser para a reeleição. Um projeto que até pistas sem uso tem, serviço porco de gente incompetente. E agora é o governo do estado que quer duplicar tudo que é avenida do centro ao aeroporto de Confins, ao mesmo tempo em que a prefeitura quer duplicar o resto da Antônio Carlos. Mas imagine a obra do governo, que passa pelo túnel. Alguém vai duplicar o túnel, ou ali vai ser um ponto grave de congestionamento? E a obra da prefeitura, se três pistas de rolagem (como é atualmente na Antônio Carlos) não têm vazão ao chegar no complexo da Lagoinha e na rua do Acre, imaginem seis pistas de rolagem. Ou eles vão duplicar a rua do Acre!
Lembrete: ano que vem tem eleição para o governo do estado.

carro x ônibus

O que quis dizer no texto anterior é o seguinte, mesmo sabendo que carro pode ser importante - afinal meu filho nasce daqui a pouco e quando precisar ir a consultas médicas, ou quando for visitar os parentes, ou qualquer outro motivo que eu precise levar o moleque a qualquer outro lugar, o carro (próprio ou táxi) terá importância muito grande - mas cotidianamente, e é este o ponto, o carro só trás problemas. É pelo excesso de carros nas ruas que se formam congestionamentos.

Parágrafo para uma conta simples: se a média é de duas pessoas ocupando cada carro (mas imagino que seja algum valor entre um e dois), podemos tirar todas essas pessoas dos carros e colocá-las todas sentadas num ônibus. Se um ônibus tem cinqüenta assentos, são vinte e cinco carros a menos, trocados por apenas um ônibus com todas as pessoas sentadas! Sem falar no metrô.

Voltando ao texto: É pelo excesso de carros nas ruas que se formam congestionamentos. E é pelos congestionamentos que todo mundo perde um tempo absurdo por dia para poder se divertir ou descansar ou mesmo trabalhar mais. E enquanto isso os governos municipal e estadual continuam fazendo obras que induzem ao aumento de carros e, logo, ao aumento dos congestionamentos. E nós, eu e alguns leitores desta página, estudantes ou recém formados em Arquitetura e Urbanismo, não nos damos conta do que podemos fazer para alterar o futuro da cidade para melhor. Afinal, são melhores as diretrizes e as verbas direcionadas ao transporte público, com implementação inteligente e manutenção, controle e fiscalização constantes ou aquelas destinadas à duplicação de vias que em pouco tempo conterão os mesmos transtornos de hoje, como os congestionamentos - que a meu ver serão ainda maiores - e os afunilamentos sem sentido em pontos vitais das vias?

e, de novo, o meu filho...

Reclamamos que os governos do passado geraram dívidas para o país que pagamos até hoje, mas achamos isso normal. Eu não gostaria de ver meu filho reclamando dos governos de hoje pelos transtornos que ele provavelmente viverá em pouco tempo, achando que é coisa normal.

sexta-feira, outubro 14, 2005

notícias da terra do sol!

Ontem, quinta-feira treze de outubro de dois mil e cinco, eu não precisei sair de casa e aproveitei para fazer uma arrumação geral, varrer e passar cera no chão, colocar umas roupas pra lavar, tirar poeira dos móveis, lavar as louças da pia, enfim, arrumar a casa toda. No final da tarde, com a casa praticamente pronta, faltava fazer uma limpeza geral em mim. O que estava faltando fazer era guardar as roupas que eu já tinha recolhido do varal, colocar roupa de cama nova e tal.

calor intenso

Só pra lembrar, e para aqueles que não estão em Belo Horizonte ficarem sabendo, ontem fez um calor infernal na cidade – no país – no mundo – as roupas que eu coloquei pra secar no varal ficaram secas num segundo e o edredom que tinha passado a noite dependurado já estava evaporando (mas o edredom só foi lavado para poder ser guardado, porque nesse calor não dá nem pra olhar pra ele).

Enquanto eu lavava as coisas da pia da cozinha, a única coisa na qual eu conseguia pensar era no banho que eu ia tomar em seguida. A água da torneira da cozinha estava quente e a do chuveiro vem da mesma caixa d’água. Tomei banho com o chuveiro desligado (com a parte elétrica do chuveiro desligada, mas a torneira estava aberta e caía água, me explico antes que um engraçadinho faça um comentário sem graça) e foi um dos melhores banhos que eu já tomei na vida. Chuveiro desligado, porta aberta, super refrescante.

Saí do banho, me enxuguei, estendi a toalha e fui pro quarto guardar as roupas que eu já havia tirado do varal e colocado sobre a cama. O sol já havia se posto há mais de meia hora, as roupas já haviam sido retiradas do varal há mais de duas horas, e a cada roupa que eu pegava para dobrar (dobrar mais ou menos; daqui foi pra pilha de roupas a passar) saía um bafo quente, como se eu tivesse acabado de tirar aquela roupa do sol. Depois de guardar as roupas todas fui ao banheiro lavar o rosto, pois eu já estava suando de novo por causa daquelas roupas quentes. E qual não foi minha surpresa ao ver que, depois de passados cerca de quinze minutos do fim de um banho que eu tomei frio e com a porta aberta, o banheiro estava quente! Horrorizei.

que mundo é esse?

À noite eu tenho o costume de ver o Jornal da Globo, dá pra ver um resumo do dia e quando ele termina, eu já pego no sono (nem sempre). Na edição de ontem, a mesma quinta-feira que eu fiquei em casa horrorizado com o calor, uma notícia internacional, a NASA divulgou resultados de uma pesquisa que diz que a temperatura mundial está batendo recordes no mundo inteiro e que o golfo do México nunca esteve tão quente, o que significa que tornados como o Katrina vão ser cada vez mais comuns daqui pra frente, notícia que também já não é mais novidade. E me lembrei também que até mesmo o Brasil foi alvo outro dia mesmo de um tornado.

piada velha e sem graça

Eu sempre me lembro de uma piadinha que minha professora de geografia da quinta ou sexta série contou uma vez em sala de aula. Deus e São Pedro estavam lá conversando e distribuindo geograficamente os desastres pelo mundo, Naquele país ali São Pedro, o Japão, eu quero muito terremoto, naquele outro ali, um deserto e ali uns tornados, lá um mar revolto e tal, a piada é grande, até que por fim ele disse, E naquele ali São Pedro, não quero desastre nenhum não, só praia bonita, cachoeiras, uma floresta grande, grande não, a maior do mundo, verão o ano todo, biodiversidade e tal. E São Pedro perguntou pra Deus, uai Deus, mas porquê que em todos os outros países você vai colocar tantos desastres e nesse aí, um país desse tamanho, não vai colocar nenhum? É São Pedro, eu não vou colocar nenhum desastre, mas você vai ver a gentinha que eu vou deixar viver ali...

Hoje em dia, dois mil e cinco, a gentinha tem exagerado tanto que até desastre natural tem...

que mundo é esse? (2)

Como se já não bastasse ir dormir com a confirmação de que o mundo está realmente superaquecido, história que até outro dia mesmo era dita como previsão para um futuro que a gente nunca acha que vai chegar, hoje eu acordo com a notícia, vista no Bom Dia Brasil, que seis municípios do estado do Amazonas estão há cinco dias em estado de calamidade por causa da seca! Porra!, seis municípios que estão às margens dos rios da maior bacia hidrográfica do planeta estão sofrendo com Seca! Imagina o que não vai sobrar no resto do mundo daqui a pouco...

e viva o crescimento econômico!

Hoje fui visitar o terreno onde vou fazer o próximo projeto, área do município de Nova Lima que já foi usada para extração de minério de ferro e que hoje, como acabou o minério naquele morro (aliás, acabou o morro), será usada para ampliação de um dos bairros ou condomínios ou distritos dali de perto, o que chegar primeiro.

Dali dava pra ver outro morro mais à frente, que começou a ser explorado este ano e já está comido pela metade. No final do ano que vem, ou um pouco depois, ali estará um buraco tão grande quanto este aqui. De todo este minério de ferro sai material para se construir mais automóveis ou mais aço para as estruturas metálicas de edifícios, para citar dois exemplos óbvios. E a indústria de automóveis e a de motocicletas batem novos recordes de fabricação a cada ano. No país ainda não vemos a construção ir assim tão bem, mas a China faz um prédio atrás do outro e o aço vem daqui.

e o meu filho...

Até que ponto o progresso da humanidade consegue seguir sem se transformar em colapso da humanidade? Até que ponto podemos assumir luxos cada vez mais dispendiosos do ponto de vista tanto da matéria prima como da energia empregados neles, sem que recoloquemos na natureza aquilo que tiramos de lá? Aliás, até que ponto precisamos de luxo? Porquê que a cada dia é mais comum vermos pessoas sozinhas em seus carros enquanto cada vez menos pessoas usam um transporte público medonho? Não seria melhor todo mundo usar um transporte público eficiente? Tem lugar no mundo que é assim. Se aqui não é, quem ganha com isso? Ou o fato de cada um querer ter seu carro corresponde com o fato de cada um, numa casa, querer ter seu próprio banheiro? Pra que esse luxo todo? Ou isso é só individualismo? E a sociedade em que a gente vive? Até que ponto ela agüenta e até que ponto ela sofre por causa de tanto individualismo? Até que ponto nossas escolhas pessoais interferem no ecossistema mundial, transformando aos poucos cidades com temperatura amena, como era Belo Horizonte há cinqüenta anos, em metrópoles infernais como a Belo Horizonte de hoje?

E o meu filho que nasce no final do ano? Que mundo estamos criando pra ele viver?

terça-feira, outubro 04, 2005

cada um tem cada coisa...

A nova série com as coisas que só as crianças são capazes de dizer:

A mãe e seu filho no shopping, andando dentro de uma loja, vêm uma cama grande toda arrumada com travesseiros, almofadas, edredons e outros panos que eu não conheço direito e a mãe diz, como que pensando alto, Estou precisando tanto de um edredon..., e o moleque, que talvez nem saiba o que é um edredon, responde confiante, Eu também tô precisando tanto de um edredon...

terça-feira, agosto 16, 2005

vida

a dádiva da nova vida
na vida dos novos pais
é davi!

segunda-feira, agosto 01, 2005

o filho que eu quero ter

O título deste texto é o nome de uma música do Toquinho que tem letra do Vinícius de Moraes. Quem tem mais de vinte e cinco anos deve se lembrar dos discos intitulados ‘Arca de Noé’, volumes um e dois, lançados no início da década de oitenta (o primeiro em oitenta e o segundo em oitenta e um).

Nos dois volumes, vários cantores cantam músicas do Toquinho que têm letra de Vinícius de Moraes, todas as músicas, claro, com tema infantil, e a maioria falando de bichos, como o pato (essa é clássica), coruja, foca, abelha, pulga, gato, leão, pingüim, pintinho, cachorrinha, peru, porco, galinha d’angola e formiga. Mas além dos bichos, há também, em cada volume uma música dedicada às crianças. No primeiro tem a música Menininha, cantada pelo próprio Toquinho e no volume dois, também cantada pelo Toquinho, a música O Filho Que Eu Quero Ter.

E essa última música especialmente sempre me chamou atenção. Mas fiquei muitos anos sem escutá-la durante minha adolescência. Quando nasceu minha sobrinha - hoje ela tem seis anos - eu comprei os dois volumes da Arca de Noé em cd, pois já não tínhamos mais como ouvir vinil em casa, como quase ninguém escuta, porque o som já não funcionava mais.

E nesses últimos anos, a cada vez que a ouvia, eu prestava mais atenção em sua letra, que é linda. Leia:

***

O Filho Que Eu Quero Ter

É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer

Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim chorando, acalentar
O filho que eu quero ter

Dorme meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem

De repente eu vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde eu vim

Um menino sempre a me perguntar
Um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim

Dorme menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu

E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus

Dorme meu pai sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter

***

Olha que obra-prima! E olha como ele avança também toda a vida do menino, desde antes do seu nascimento até a morte do pai, e como essa passagem do pai faz recomeçar a letra, quando ele começa a sonhar, no entardecer, com o filho que ele quer ter.

E eu sempre ouvi isso pensando, como também se pode perceber na letra, o ponto de vista de uma pessoa só, que começa sonhando com o filho que vai nascer - e eu já pensava nisso mesmo antes de engravidar a Bela - e termina com a morte do pai - coisa que, mesmo eu já tendo pensado nisso algumas vezes, sempre tive medo.

Mas este texto é pra outro comentário. A primeira vez que ouvi esta música depois de ter me tornado pai, e a primeira vez que a ouvi depois de saber que é menino, chorei muito, quase desesperadamente, mas de muita alegria. Não consegui parar de conter as lágrimas um só momento, especialmente nesse trecho da letra:

“De repente eu vejo se transformar / Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar / Quando eu chegar lá de onde eu vim

Um menino sempre a me perguntar / Um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem / E a quem só diga que sim”

Mas talvez lendo a letra sem conhecer a música a graça não seja a mesma, e como eu já disse antes também, só esperando um filho pra saber do que eu estou falando.

sexta-feira, julho 29, 2005

é menino-hômi!

...e lindo! Ultra-som é um negócio muito legal, deu pra ver cada bracinho, cada perninha, a cabeça, a coluna vertebral, as costelas, o fêmur que não mede nem dois centímetros ainda, deu pra ouvir o batimento cardíaco perfeitamente, do caralho, muito empolgante.

Vou ser pai de um menino perfeitinho e saber disso é uma coisa muito emocionante, indescritível. Vê-lo dar uns chutinhos, mexer com a cabeça, mexer os braços, é do caralho!

Agora só falta pensar direito num nome! Aceito idéias...

No próximo ultra-som, e vai ter pelo menos mais um, vai dar pra ver cada dedinho, cada órgão interno, a circulação sanguínea. Doido demais! Só passando por isso mesmo!

***

E mais uma, finalmente deu pra saber direito o tempo de gestação. Dezoito semanas e cinco dias - com uma tolerância de mais ou menos uma semana - o que dá quatro meses e meio, um pouquinho mais, ou seja, estamos no meio da gestação. A data mais provável de ser a certa é algo em torno do natal. Presentão pra mim e pra Bela. Só vai ser ruim pra ele que vai ganhar apenas um presente por ano.

quinta-feira, julho 28, 2005

mas ainda não foi desta vez...

Só deu pra escutar a criança dentro da barriga. É muito legal, o maior rock’n’roll dentro da barriga de tanto barulho, parecendo de vez em quando umas ondas fortes, uma maré forte em dia de chuva, um mar de ressaca. (se tivéssemos bebido na véspera eu ia achar mesmo que era ressaca). Mas tem interferência demais e só mais ou menos eu consegui ouvir o coração, mesmo assim sem ter certeza se era o coração mesmo.

Mas, apressado que sou e ansioso que estou, a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi marcar o ultra-som.

Amanhã mesmo, às sete horas da manhã saberemos - tomara - se é menino ou menina. Ou um de cada, vai saber!

suspense...

Hoje, quinta feira, 28 de julho, às duas da tarde, haverá nova consulta de pré-natal, a primeira através do plano de saúde.

Se o médico, Dr. Marcos, fizer ultra-som, já vamos descobrir se é menino ou menina!

terça-feira, julho 26, 2005

5.500 nomes para o bebê

“Nomes indígenas, bíblicos, mitológicos, populares, inclusive nomes afros”. É assim que está escrito na capa da pequena revista vendida em muitas bancas do centro da cidade.
Não agüentando de curiosidade, comprei. Nela há os nomes, suas origens e significados. Além de uma orientação que devem ser usados “nomes fáceis e sem complicações”, e que nem todos os que aparecem ali são adequados, mas que constam na revista apenas para satisfazer a curiosidade do leitor.

Alguns exemplos retirados da revista:

nomes de estados ou cidades, como Goiás, Sergipe, Olinda, Sabará e Birigui (sim! a Massachusetts brasileira!), além de Sepetiba e Ipanema, nomes de praias - e Ipanema significa, em tupi, ‘água que não presta’, olha só que coisa;

marcas registradas como Ajax, Kuat, Melita, Minerva (eu conheço uma Minerva!) e até Mirabel (imagina alguém chamando a menina: oh gostosa!), além de uma das marcas mais conhecidas no país, Tabajara;

palavras de uso mais ou menos corriqueiro mas que nunca associei a nomes próprios como Abril (sim, o mês de Abril), Ábaco, Abstêmio, Albino (esse eu já vi como sobrenome, e, por uma grande ironia, sobrenome do cara mais longe de ser albino de todo o cefet no tempo que eu estudei lá), Alegria (vê se pode!), Nirvana e até Jardim (oh Jardim, sai do quintal meu filho!) (mas esse também é sobrenome)

e, claro, os nomes esdrúxulos (desculpe se seu nome estiver aqui, mas se estiver é por que ele é esdrúxulo) como Gerôncio (que tem origem grega/latina e significa velho, o moleque já nasce caducando; mas pelo menos vale o pensamento positivo que esperam pra ele vida longa), Roseilaine (que não tem origem em nada, é só uma “aglutinação de Rosa e Elaine”, de acordo com a revista), e um dos piores, Pavência (com origem no latim, significa amedrontado, porra! além de por um nome ridículo na filha ainda usa um com significado tão desestimulador, imbecil até...)

***

E ainda tem uma coisa incrível nesta revista, tem cinco mil e quinhentos nomes (é claro que eu não conferi), alguns normais, outros estranhos e uns estúpidos, com origens em todos os cantos do mundo mas... não tem Izabela! Tem Adetokunbo, Ecocuaba, Irungu, Madzimoyo, Omotunde e Pepukayi mas não tem Izabela! Nem com s no lugar do z, nem com um l nem com dois l’s. Pelo menos no nome Isabel, de origem hebraica, admite-se variantes como Ysabel, Isabele, Isabele..., e não errei não, na revista vem Isabele escrito duas vezes mesmo, e não tem Izabela!

***

Mas o melhor nome de todos os que eu já escutei na vida, não tem nessa revista e eu nunca vi nada parecido em lugar nenhum, nem em livros, nem na internet, nem em outras conversas sobre nomes cabulosos. E foi o Uirsu quem me contou, mas eu dei uma leve aumentada na história, usando uns outros nomes retirados da revista:

A mãe, cansada daquela vida de desgraça, o marido nunca fazia nada que prestava, mal trazia comida pra dentro de casa, os filhos mais velhos não faziam nada pra ajudar em casa, não gostavam de trabalhar nem de estudar, antes do casamento, o pai e os irmãos eram uns cachaceiros sem vergonha que não faziam nada pra melhorar de vida.

Quando ela ficou sabendo da nova gravidez ela pensou com seus botões que desse menino ela cuidaria diferente, iria por nele o gosto pelo estudo e pelo trabalho, e esse sim ia ser alguém importante na vida. Mas já tem que começar por um nome bom. Nada como Adalfredo, Adalemo ou Adeltrudes, seus irmão e irmã, Florisval, Eguelberto, Kinderman ou Leodomir, seus outros filhos, de jeito nenhum, o caçula tinha que ser alguém na vida e pra isso tinha que ter um nome importante.
No cartório não teve dúvidas: Qual o nome do seu filho, minha senhora? É Doutor Flávio, seu escrivão.

segunda-feira, julho 25, 2005

relação com o tempo

Quando eu era pequeno, sempre gostava de olhar as fotos de família que ficavam guardadas numa caixa.
Algumas delas sempre me chamaram a atenção de alguma forma e eu nunca havia entendido, ainda, o por que.
Uma delas me acompanha já há alguns anos, num porta-retratos, uma foto tirada em outubro de mil novecentos e oitenta e quatro (há mais de vinte anos, portanto). Eu e meu irmão em cima da árvore que havia no fundo do quintal lá de casa, lendo revistinhas do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Ela está no mesmo porta-retratos que outra foto nossa, esta bem mais recente, tirada em dois mil e um ou dois mil e dois, não me lembro mais, mas também em meio à natureza, sentados numas pedras em cima da Gruta Rei-do-Mato, com umas árvores ao fundo, olhando pra paisagem e pensando.

Mas este texto é pra falar de outra foto da mesma caixa que existe na casa dos meus pais. Eu sempre que a via, procurava identificar as pessoas nas fotos. Eu ainda era um bebê de colo, minha irmã bem novinha, um primo mais velho que eu era apenas um moleque, meu avô era vivo (e morreu quando eu ainda era bem novo), minha avó estava bem mais nova (e ela também morreu, mas há poucos anos), meus pais e tios e tias com cara de crianças, praticamente, com cabelos e barbas completamente diferentes, foto muito engraçada. Eu sempre ria dela de tão engraçada, de tão esquecida no tempo, de tão distante pra mim.

Fiquei alguns anos sem olhar de novo aquelas fotos. Elas continuam na casa dos meus pais e eu não moro mais com eles há três anos. Mas outro dia numa visita, resolvi dar uma olhada lá de novo, mostrar algumas fotos pra Izabela, minha namorada, rir mais um pouco de novo. Como sempre.

Revi a tal foto, a família toda, meus avós, meus pais, tios e tias, primos mais velhos, irmã, eu no colo e tal. Me deu um trem na mesma hora. Olhei pra minha sobrinha, filha da minha irmã, e ela estava igualzinha à minha irmã na foto. Calculei as idades de todos na foto. Se eu era um bebê de colo, não tinha completado ainda um ano, então aquela foto tinha vinte e seis ou vinte e sete anos de idade. Meus pais tinham então a idade que eu e meus irmãos temos hoje, assim como nossos tios e tias; meus avós tinham a idade que meus pais têm hoje, e... caralho! já passou uma geração inteira entre o momento em que aquela foto foi tirada e o momento em que eu a revi. No mesmo dia, foram à casa dos meus pais alguns dos tios que estavam na foto e eles também gostaram de vê-la. Um dos meus tios ainda notou como o filho mais velho é a cara dele, outro reforçou como minha sobrinha lembra minha irmã quando era mais nova e eu fiquei matutando aquilo, como se ninguém estivesse vendo realmente o mesmo que eu vi na foto, como foi que passou toda uma geração e como que o ciclo sempre se repete, como que a família sempre muda mas sempre continua igual.

Talvez ninguém tivesse pensado nisso por já ter visto a mesma coisa em muitas outras situações, muitas outras fotos, em muitos outros nascimentos e mortes, em muitos outros tempos. Mas foi ali, eu acho, que essa minha relação com o tempo, que eu sempre achei ser diferente da relação de outras pessoas com ele, tomou uma dimensão nova pra mim. Talvez uma dimensão mais compreensível, embora não seja necessariamente mais explicável.

Mas uma coisa é certa, desde o momento que eu descobri que serei pai - e mesmo um pouco antes disso, talvez quando eu pensei a primeira vez, seriamente, em ser pai de alguém - essa relação não me deixa, ela realmente faz parte de mim. O passado, o presente e o futuro estão todo o tempo em minha cabeça, as relações entre estes tempos, as coisas que aconteceram, as que deixaram de acontecer, como uma coisa que aconteceu ou deixou de acontecer tem relação direta com outra que acontece hoje ou que está pra acontecer num futuro breve ou distante. Mas tudo isso é assunto pra outro texto. Neste fica minha relação com o tempo e como a constatação da passagem de uma geração inteira me deixou mais intrigado com o nascimento e a morte, o passado e o futuro, meus pais e meus filhos.

segunda-feira, julho 18, 2005

o começo das coisas

Dezoito de julho de dois mil e cinco, segunda-feira, aventuras de um pai-marinheiro-de-primeira-viagem que não sabe como funciona direito esse negócio mas está disposto a fazer direitinho.

Sexta-feira dez de junho de dois mil e cinco, fiz o plano de saúde da Izabela e o meu. Daqui a uma semana, a partir de quarta-feira, vinte e sete de julho deste ano, estaremos cobertos pelo plano e, pelo menos psicologicamente, estarei mais seguro de continuar a viagem.

Mas a história começou mesmo há algum tempo atrás, quando a menstruação da Izabela não vinha mais e ela estava ganhando alguns quilinhos a mais, engordando um pouquinho mais - e olha que foi apenas nas primeiras semanas, se nossos cálculos estão corretos.

Dia vinte e quatro de maio fomos ao laboratório para o exame de gravidez.
Depois de coletarem uma amostrinha do sangue da Izabela, fizeram o teste de quimioluminescência que eu não sei em que consiste, e nem como é feito.
O resultado, dado na unidade mUI/mL, que eu não lembro mais o que significa, vem acompanhado dos seguintes valores de referência:

de 0 a 5 mUI/mL, o resultado é negativo
de 5 a 50 mUI/mL, resultado indeterminado
acima de 50 mUI/mL, resultado positivo (sim, ela está grávida).

e o resultado veio escrito da seguinte forma:

"maior que 1000 mUI/mL", que me fez dizer na mesma hora: Núúú, mas você tá é muito grávida, Bela.

Só depois disso, e já devia ter uns dois ou três meses de gravidez nessa época - nós ainda não sabemos exatamente - é que nós começamos a dar as boas novas. Primeiro pros nossos pais e irmãos, resto da família, embora esta fica sabendo em menos de vinte e quatro horas, como sempre, e depois todo mundo. Claro, também, depois que nossa ficha caiu de verdade.

O mais engraçado, é como todo mundo - muita gente - fica ansioso pra saber se é menino ou menina, se já pensamos num nome, se já começamos a comprar enxoval - aliás só a palavra enxoval eu já acho uma coisa muito engraçada.

Não, não sabemos se é menino ou menina, e nem estamos preocupados em saber. Em algum ultra-som, algum dia, ficaremos sabendo.

Não, não escolhemos nomes ainda. Afinal, nem sabemos se é menino ou menina, não e verdade?

Não, não começamos a compra enxoval. Tanto por não sabermos se é menino ou menina, como por também agora nossas contas estarem sendo cuidadosamente analisadas - muito mais que antes - para que possamos comprar as coisas, pagar plano de saúde, continuar pagando as outras contas de sempre, e mais o que precisar aparecer (resolveu levar vida de gente grande, agora agüenta). Mas tá tudo funcionando bem.

terça-feira, julho 12, 2005

Voltei

Não sei se alguém notou mas esse blog ficou um tempão fora do ar.

O motivo foi alguma pane nas configurações que eu (tentei) arrumar, mas só consegui mesmo (mais ou menos) agora.

Agora vamos ver se eu vou publicar com certa regularidade, né?

Aliás, bem vindos novamente.

sexta-feira, junho 17, 2005

Inicial

Sejam bem vindos.

Começarei a contar as venturas e desventuras de minha primeira experiência nesta fase da vida de (quase) todos nós, esta em que, de uma hora pra outra, nos vimos com a difícil - deve ser difícil mesmo - e maravilhosa - maravilhosa deve ser, sem dúvida - tarefa de fazer com alguém que fizemos seja gente de verdade um dia.

Entenda por gente de verdade o que você quiser. No andor das coisas eu arrumo uma definição minha - se tudo der certo, procurarei definição enquanto durar minha vida.

E mais uma, contarei das minhas experiências, falarei de mim mesmo, na primeira pessoa do singular e tudo o mais. Mas é claro que a criança tem uma mãe. Aliás, uma maravilhosa, uma muito Bela.